{"id":280,"date":"2015-05-06T20:04:05","date_gmt":"2015-05-06T20:04:05","guid":{"rendered":"http:\/\/reinaldovelloso.blog.br\/?p=280"},"modified":"2015-05-07T12:55:56","modified_gmt":"2015-05-07T12:55:56","slug":"conciliacao-e-mediacao-nas-serventias-perspectivas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/reinaldovelloso.blog.br\/?p=280","title":{"rendered":"Concilia\u00e7\u00e3o e Media\u00e7\u00e3o nas Serventias: Perspectivas"},"content":{"rendered":"<p>Neste blog publiquei recentemente dois t\u00f3picos\u00a0com relato hist\u00f3rico do papel das serventias de registro e notas na solu\u00e7\u00e3o consensual de conflitos, seja por meio dos Juizados de Paz, seja pela formaliza\u00e7\u00e3o de escritura p\u00fablica de transa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pois bem. Em 2013 a Corregedoria Geral da Justi\u00e7a do Estado de S\u00e3o Paulo\u00a0autorizou a implementa\u00e7\u00e3o da media\u00e7\u00e3o e concilia\u00e7\u00e3o nas Serventias Extrajudiciais do Estado de S\u00e3o Paulo, por meio do <a href=\"http:\/\/reinaldovelloso.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Provimento-CG-2013-17-Concilia\u00e7\u00e3o-e-Media\u00e7\u00e3o.pdf\" target=\"_blank\">Provimento CG n\u00ba 17\/2013 e parecer respectivo<\/a>.<\/p>\n<p>O ato normativo foi, contudo, questionado pela Seccional Paulista da Ordem dos Advogados do Brasil, que formulou pedido de provid\u00eancias\u00a0ao Conselho Nacional de Justi\u00e7a, protocolado sob o n\u00ba\u00a00003397-43.2013.2.00.0000.<\/p>\n<p>A\u00a0Conselheira\u00a0Gisela Gondin Ramos,\u00a0Advogada indicada pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, afirmou, na oportunidade que:\u00a0&#8220;o ato da Corregedoria Geral de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo parece extrapolar o \u00e2mbito regulamentar que lhe \u00e9 pr\u00f3prio, imiscuindo-se em mat\u00e9ria de compet\u00eancia exclusiva da Uni\u00e3o Federal, cominando atribui\u00e7\u00e3o \u00e0s Serventias de Notas que n\u00e3o lhe s\u00e3o pr\u00f3prias&#8221;.<\/p>\n<p>E por fim deferiu &#8220;o\u00a0pedido cautelar para determinar a suspens\u00e3o da entrada em vigor do Provimento n. 17, de 5 de junho de 2013, da Corregedoria Geral da Justi\u00e7a do Tribunal de Justi\u00e7a do Estado de S\u00e3o Paulo at\u00e9 delibera\u00e7\u00e3o final pelo Conselho Nacional de Justi\u00e7a&#8221;. <a href=\"http:\/\/reinaldovelloso.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/CNJ-Pedido-de-Provid\u00eancias-0003397\u201043.2013.2.00.0000-Voto.pdf\" target=\"_blank\">Leia o voto na \u00edntegra<\/a>.<\/p>\n<p>Em sess\u00e3o plen\u00e1ria realizada em 10 de setembro de 2013, o Conselho, por maioria, &#8220;ratificou a liminar, nos termos\u00a0apresentados pela Relatora&#8221;, conforme <a href=\"http:\/\/reinaldovelloso.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/CNJ-Pedido-de-Provid\u00eancias-0003397\u201043.2013.2.00.0000-Certid\u00e3o.pdf\" target=\"_blank\">certid\u00e3o de julgamento<\/a>.<\/p>\n<p>At\u00e9 o presente momento o pedido est\u00e1 pendente de aprecia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto, a quest\u00e3o merece ser reanalisada, \u00e0 luz do <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_Ato2015-2018\/2015\/Lei\/L13105.htm\" target=\"_blank\">novo C\u00f3digo de Processo Civil (Lei n\u00ba 13.105, de 16 de mar\u00e7o de 2015)<\/a>, diploma que em in\u00fameros dispositivos prestigiou a solu\u00e7\u00e3o consensual dos conflitos.<\/p>\n<p>Nesse sentido, estabeleceu que:<\/p>\n<blockquote><p>Art. 3\u00ba N\u00e3o se excluir\u00e1 da aprecia\u00e7\u00e3o jurisdicional amea\u00e7a ou les\u00e3o a direito.<br \/>\n[&#8230;]<br \/>\n\u00a7 2\u00ba O Estado promover\u00e1, sempre que poss\u00edvel, a solu\u00e7\u00e3o consensual dos conflitos.<br \/>\n\u00a7 3\u00ba A concilia\u00e7\u00e3o, a media\u00e7\u00e3o e outros m\u00e9todos de solu\u00e7\u00e3o consensual de conflitos dever\u00e3o ser estimulados por ju\u00edzes, advogados, defensores p\u00fablicos e membros do Minist\u00e9rio P\u00fablico, inclusive no curso do processo judicial.<br \/>\n[&#8230;]<br \/>\nArt. 165. Os tribunais criar\u00e3o centros judici\u00e1rios de solu\u00e7\u00e3o consensual de conflitos, respons\u00e1veis pela realiza\u00e7\u00e3o de sess\u00f5es e audi\u00eancias de concilia\u00e7\u00e3o e media\u00e7\u00e3o e pelo desenvolvimento de programas destinados a auxiliar, orientar e estimular a autocomposi\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u00a7 1\u00ba A composi\u00e7\u00e3o e a organiza\u00e7\u00e3o dos centros ser\u00e3o definidas pelo respectivo tribunal, observadas as normas do Conselho Nacional de Justi\u00e7a.<br \/>\n\u00a7 2\u00ba O conciliador, que atuar\u00e1 preferencialmente nos casos em que n\u00e3o houver v\u00ednculo anterior entre as partes, poder\u00e1 sugerir solu\u00e7\u00f5es para o lit\u00edgio, sendo vedada a utiliza\u00e7\u00e3o de qualquer tipo de constrangimento ou intimida\u00e7\u00e3o para que as partes conciliem.<br \/>\n\u00a7 3\u00ba O mediador, que atuar\u00e1 preferencialmente nos casos em que houver v\u00ednculo anterior entre as partes, auxiliar\u00e1 aos interessados a compreender as quest\u00f5es e os interesses em conflito, de modo que eles possam, pelo restabelecimento da comunica\u00e7\u00e3o, identificar, por si pr\u00f3prios, solu\u00e7\u00f5es consensuais que gerem benef\u00edcios m\u00fatuos.<br \/>\n[&#8230;]<br \/>\nArt. 167. Os conciliadores, os mediadores e as c\u00e2maras privadas de concilia\u00e7\u00e3o e media\u00e7\u00e3o ser\u00e3o inscritos em cadastro nacional e em cadastro de tribunal de justi\u00e7a ou de tribunal regional federal, que manter\u00e1 registro de profissionais habilitados, com indica\u00e7\u00e3o de sua \u00e1rea profissional.<br \/>\n\u00a7 1\u00ba Preenchendo o requisito da capacita\u00e7\u00e3o m\u00ednima, por meio de curso realizado por entidade credenciada, conforme par\u00e2metro curricular definido pelo Conselho Nacional de Justi\u00e7a em conjunto com o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, o conciliador ou o mediador, com o respectivo certificado, poder\u00e1 requerer sua inscri\u00e7\u00e3o no cadastro nacional e no cadastro de tribunal de justi\u00e7a ou de tribunal regional federal.<br \/>\n\u00a7 2\u00ba Efetivado o registro, que poder\u00e1 ser precedido de concurso p\u00fablico, o tribunal remeter\u00e1 ao diretor do foro da comarca, se\u00e7\u00e3o ou subse\u00e7\u00e3o judici\u00e1ria onde atuar\u00e1 o conciliador ou o mediador os dados necess\u00e1rios para que seu nome passe a constar da respectiva lista, a ser observada na distribui\u00e7\u00e3o alternada e aleat\u00f3ria, respeitado o princ\u00edpio da igualdade dentro da mesma \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o profissional.<br \/>\n\u00a7 3\u00ba Do credenciamento das c\u00e2maras e do cadastro de conciliadores e mediadores constar\u00e3o todos os dados relevantes para a sua atua\u00e7\u00e3o, tais como o n\u00famero de processos de que participou, o sucesso ou insucesso da atividade, a mat\u00e9ria sobre a qual versou a controv\u00e9rsia, bem como outros dados que o tribunal julgar relevantes.<br \/>\n\u00a7 4\u00ba Os dados colhidos na forma do \u00a7 3\u00ba ser\u00e3o classificados sistematicamente pelo tribunal, que os publicar\u00e1, ao menos anualmente, para conhecimento da popula\u00e7\u00e3o e para fins estat\u00edsticos e de avalia\u00e7\u00e3o da concilia\u00e7\u00e3o, da media\u00e7\u00e3o, das c\u00e2maras privadas de concilia\u00e7\u00e3o e de media\u00e7\u00e3o, dos conciliadores e dos mediadores.<br \/>\n\u00a7 5\u00ba Os conciliadores e mediadores judiciais cadastrados na forma do caput, se advogados, estar\u00e3o impedidos de exercer a advocacia nos ju\u00edzos em que desempenhem suas fun\u00e7\u00f5es.<br \/>\n\u00a7 6\u00ba O tribunal poder\u00e1 optar pela cria\u00e7\u00e3o de quadro pr\u00f3prio de conciliadores e mediadores, a ser preenchido por concurso p\u00fablico de provas e t\u00edtulos, observadas as disposi\u00e7\u00f5es deste Cap\u00edtulo.<br \/>\nArt. 168. As partes podem escolher, de comum acordo, o conciliador, o mediador ou a c\u00e2mara privada de concilia\u00e7\u00e3o e de media\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u00a7 1\u00ba O conciliador ou mediador escolhido pelas partes poder\u00e1 ou n\u00e3o estar cadastrado no tribunal.<br \/>\n\u00a7 2\u00ba Inexistindo acordo quanto \u00e0 escolha do mediador ou conciliador, haver\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o entre aqueles cadastrados no registro do tribunal, observada a respectiva forma\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u00a7 3\u00ba Sempre que recomend\u00e1vel, haver\u00e1 a designa\u00e7\u00e3o de mais de um mediador ou conciliador.<br \/>\nArt. 169. Ressalvada a hip\u00f3tese do art. 167, \u00a7 6\u00ba, o conciliador e o mediador receber\u00e3o pelo seu trabalho remunera\u00e7\u00e3o prevista em tabela fixada pelo tribunal, conforme par\u00e2metros estabelecidos pelo Conselho Nacional de Justi\u00e7a.<br \/>\n\u00a7 1\u00ba A media\u00e7\u00e3o e a concilia\u00e7\u00e3o podem ser realizadas como trabalho volunt\u00e1rio, observada a legisla\u00e7\u00e3o pertinente e a regulamenta\u00e7\u00e3o do tribunal.<br \/>\n\u00a7 2\u00ba Os tribunais determinar\u00e3o o percentual de audi\u00eancias n\u00e3o remuneradas que dever\u00e3o ser suportadas pelas c\u00e2maras privadas de concilia\u00e7\u00e3o e media\u00e7\u00e3o, com o fim de atender aos processos em que deferida gratuidade da justi\u00e7a, como contrapartida de seu credenciamento.<br \/>\n[&#8230;]<br \/>\nArt. 175. As disposi\u00e7\u00f5es desta Se\u00e7\u00e3o n\u00e3o excluem outras formas de concilia\u00e7\u00e3o e media\u00e7\u00e3o extrajudiciais vinculadas a \u00f3rg\u00e3os institucionais ou realizadas por interm\u00e9dio de profissionais independentes, que poder\u00e3o ser regulamentadas por lei espec\u00edfica.<br \/>\nPar\u00e1grafo \u00fanico. Os dispositivos desta Se\u00e7\u00e3o aplicam-se, no que couber, \u00e0s c\u00e2maras privadas de concilia\u00e7\u00e3o e media\u00e7\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ou seja, o novo C\u00f3digo de Processo Civil previu expressamente que os tribunais criar\u00e3o centros judici\u00e1rios de solu\u00e7\u00e3o consensual de conflitos, competindo ao\u00a0respectivo tribunal a\u00a0composi\u00e7\u00e3o e a organiza\u00e7\u00e3o desses centros (art. 165 e \u00a7 1\u00ba). E mais: previu a possibilidade de\u00a0outras formas de concilia\u00e7\u00e3o e media\u00e7\u00e3o extrajudiciais vinculadas a \u00f3rg\u00e3os institucionais ou realizadas por interm\u00e9dio de profissionais independentes (art. 175).<\/p>\n<p>Not\u00e1rios e\u00a0registradores s\u00e3o profissionais do direito, dotados de f\u00e9 p\u00fablica, a quem \u00e9 delegado o exerc\u00edcio da atividade notarial e de registro, ap\u00f3s aprova\u00e7\u00e3o em concurso p\u00fablico, sujeitos \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o do Poder Judici\u00e1rio (<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8935.htm\" target=\"_blank\">Lei n\u00ba 8.935\/1994<\/a>, art. 3\u00ba; 14, inciso I; e 37).<\/p>\n<p>Nesse contexto, conclui-se que o Provimento CG n\u00ba 17\/2013, da Corregedoria Geral da Justi\u00e7a do Estado de S\u00e3o Paulo \u00e9 plenamente compat\u00edvel com\u00a0a regulamenta\u00e7\u00e3o\u00a0preconizada pelo novo C\u00f3digo de Processo Civil, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 concilia\u00e7\u00e3o e \u00e0\u00a0media\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste blog publiquei recentemente dois t\u00f3picos\u00a0com relato hist\u00f3rico do papel das serventias de registro e notas na solu\u00e7\u00e3o consensual de conflitos, seja por meio dos Juizados de Paz, seja pela formaliza\u00e7\u00e3o de escritura p\u00fablica de transa\u00e7\u00e3o. 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